“Claudicação” e “compensação”: duas palavras que acompanham muitos cães ao longo de suas vidas. Palavras bem conhecidas no meio veterinário, mas estranhas para muitos tutores. Claudicar é o mesmo que mancar. Compensar é o ato de transferir o peso do corpo para uma das pernas. Por exemplo, quando sentimos dor na perna esquerda, geralmente transferimos o peso do corpo para a perna direita, a fim de “compensar” a dor sentida na perna esquerda.

Essa compensação também é comum entre os nossos peludos. A diferença é que, quando um cão começa a mancar, o problema pode ser muito mais grave do que aparenta. Apesar de muito resistentes, eles recorrem à compensação com muita frequência para aliviar a dor sentida em alguma parte do corpo: membro torácico, membro pélvico ou coluna vertebral, por exemplo. Mas por que eles agem dessa maneira? Bom, quadros de claudicação e compensação podem ser associados a vários problemas: artrite, artrose, displasia, rompimento dos ligamentos dos ou tendões, entre outras patologias. Enfim, hora de ir ao médico veterinário com urgência!

Apesar de muito resistentes, os cães recorrem à compensação com muita frequência para aliviar a dor sentida em alguma parte do corpo: membro torácico, membro pélvico ou coluna vertebral, por exemplo. | Imagem: Anatomia dos Animais Domésticos – Texto e Atlas Colorido – 4a Edição – Horst Erich Konig – Hans-Georg Liebich

A massoterapia canina é altamente eficaz no combate à dor causada pela compensação. É possível aplicar técnicas específicas sobre a musculatura sobrecarregada, afetando tanto os músculos superficiais quanto os mais profundos e, assim, promovendo um alívio da dor.

Mas você deve estar se perguntando: como, exatamente, a massoterapia canina consegue reduzir os efeitos dolorosos?

A manipulação da musculatura, realizada de forma correta e apropriada para a dinâmica dos cães, leva a um aumento da circulação sanguínea. Com isso, os músculos passam a receber mais nutrientes e a eliminar mais toxinas, tornando-se menos ácidos, tóxicos, doloridos e disfuncionais.

Quando se trata de um cão idoso, a massoterapia traz benefícios ainda maiores: ela estimula a drenagem venosa, aumenta o metabolismo muscular e reduz a aderência dos músculos, além de proporcionar mais mobilidade e maior amplitude nos movimentos dos membros utilizados para compensar as dores musculares.

O cão idoso

O cão idoso

A aplicação da massoterapia nos cães idosos muitas vezes envolve técnicas como a liberação miofascial, que consiste na separação da fáscia (um tecido que envolve grupos musculares, vasos sanguíneos e nervos) de outros tecidos e estruturas. Com essa separação, combate-se a rigidez, a aderência e o encurtamento da musculatura. Tudo isso permite que o cão se locomova melhor.

Essa foi a estratégia escolhida no caso do Byron, o famoso Lord, que, como diz sua tutora Inês Inácio, é conhecido e amado por toda a vizinhança.

Com sessões semanais de massoterapia, ele retomou suas caminhadas pelo bairro, voltou a andar com mais flexibilidade e passou a apoiar melhor a pata dianteira esquerda no chão, movimentos que só foram possíveis com a redução dos efeitos da compensação. Hoje, vive de forma mais saudável e equilibrada.

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Para mim, enquanto massoterapeuta canina, saber que posso oferecer mais qualidade de vida ao Byron é uma recompensa que não consigo nem explicar. A única certeza que tenho é de que a massoterapia canina, aplicada através das minhas mãos de forma correta e consciente, está ajudando o Byron. E o mais gostoso é a forma que ele tem de agradecer: me recebe com muitas lambidas, muita alegria e muita disposição toda vez que chego para cuidar dele.

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Depoimento de Inês Inácio, tutora do Byron:

Byron é um Pastor de Shetland de 12 anos de idade e está conosco desde que completou 45 dias; ágil, elegante, alegre, gentil e extremamente obediente, ele é a personificação de um Lord e conquista o coração de todos que o conhecem. Embora tenha sido um cão muito saudável, ele nasceu com a primeira vértebra da cauda fundida, fato que só descobri muito mais tarde, quando ele começou a apresentar uma leve claudicação na pata esquerda dianteira. Com o avançar da idade, esse problema se agravou e também causou danos à coluna, pois ele joga todo o peso do corpo para as patas dianteiras. Desde os 8 anos, quando sofreu uma crise inflamatória, ele passou a ser tratado com sessões regulares de acupuntura, com bons resultados iniciais.

Contudo, há cerca de 2 anos, sua resposta à acupuntura começou a reduzir, o alívio parecia durar cada vez menos e ele praticamente não utilizava sua pata esquerda dianteira; para piorar, as patas traseiras também começaram a apresentar sinais de deterioração e o esforço excessivo contribuiu para acelerar um quadro de artrite/artrose. Para meu desespero, pouco depois ele foi diagnosticado com um problema na válvula cardíaca e alterações iniciais de insuficiência renal, passando por um período de intenso estresse e seu vigor físico decaiu significativamente.

Consultei diferentes veterinários, tentei alguns medicamentos e pesquisei muito, mas não conseguia encontrar uma solução viável para que meu pequeno tivesse a velhice tranquila que ele tanto merece.

Estava completamente desolada quando vi uma referência ao trabalho de massoterapia canina desenvolvido por Themis Regina e resolvi tentar essa alternativa. Deve haver um anjo da guarda para os cães e ele estava de plantão naquele dia!

Começamos com sessões quinzenais e, já nas primeiras semanas observei alterações muito positivas na mobilidade geral do Byron: ele ficava mais relaxado, com melhor postura e menor claudicação, mais disposto a brincadeiras (ele acha que ainda é um filhote!). Notei também que, aos poucos, ele passou a apoiar-se novamente na pata esquerda dianteira e a utilizá-la com muito mais frequência.

Os resultados foram tão promissores que decidi submetê-lo a sessões semanais de massoterapia, para enorme alegria do Byron, que adora receber a “tia Themis” com um festival de lambidas e agrados. E eu também adoro essas visitas, pois vejo os benefícios que elas trazem para ele: melhor condição física, melhor coordenação, mais disposição e apetite, mais resistência aos achaques da idade. Sei que o Byron nunca mais irá disparar atrás de uma bolinha ou pular no sofá, mas essas são limitações naturais da idade que a massoterapia ou qualquer outro tratamento são incapazes de superar. Não há milagres, há trabalho sério, muita dedicação e um genuíno amor em cada toque que a Themis dispensa. Finalmente, estou tranquila, pois sinto que meu cão está vivendo uma velhice digna e feliz.

Inês C. Inácio, tutora e companheira de jornada de Byron Von Kempten

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