Como adaptar a casa para o cão idoso? Como usar o enriquecimento ambiental a favor dos cães idosos?

Queremos simplificar as coisas, e não criar uma série de regras difíceis a serem cumpridas. Então, aqui vão algumas dicas simples!

Sabemos como são corridos os dias de todos. Além disso, cada um tem que adequar os cuidados ao que efetivamente cabe no seu bolso. Por isso, vamos nos utilizar do ditado de que “menos é mais” e garantir o melhor que podemos oferecer para nossos cães.

Dica #1: Sempre escute seu coração

Você, melhor que ninguém, conhece seu cãozinho. Se acha que algo não está bem com ele, não hesite, não duvide da sua intuição de mãe ou pai canino. Nesses casos, é melhor prevenir e levá-lo a uma consulta médica. Afinal, você faria o mesmo se algo parecido acontecesse com seus familiares humanoides, não é?

Dica #2: Sempre fique atento às mudanças

Bem, quando elas são rápidas (como uma diarreia, por exemplo), é fácil perceber que algo está errado. Mas e aquelas mudanças que acontecem bem devagar e que, com a convivência diária, acabamos não percebendo? Sim, são essas mudanças as mais perigosas, porque quando o cãozinho finalmente demonstrar de forma clara que algo não está bem, pode ser tarde demais. Não queremos que isso aconteça, não é? E como fazer, então? Você se lembra daquelas anotações que comentamos anteriormente? Esta é a hora de implementá-las. Você pode usar uma agenda, uma folha de papel ou o que for. O importante é que, quando anotamos as coisas, a informação fica registrada, e vai estar lá sempre que precisarmos dela. Afinal, nossa memória anda cheia demais para guardar tantas coisas. Então, anote os dados mais relevantes:

  • quantidade de horas de sono diárias,
  • volume de água ingerido,
  • mudança na coloração dos olhos,
  • dificuldade para levantar,
  • mudanças no apetite,
  • ganho ou perda de peso.

Anote e vá monitorando as alterações. Se observar algo constante, é hora de procurar um veterinário.

Dica #3: Visite o veterinário com mais frequência

Qualquer semelhança entre o processo de envelhecimento dos cães e o nosso não é mera coincidência: eles são muito parecidos conosco, mas têm um metabolismo mais acelerado, que faz com que envelheçam mais rapidamente. Então, programe-se para fazer visitas semestrais ao veterinário e realizar exames preventivos como o perfil geriátrico canino, que engloba hemograma + ALT + creatinina + ureia + glicose + urinálise. Claro que outros exames podem ser solicitados pelo veterinário de acordo com o perfil do paciente.

Dica #4: Trabalhe o enriquecimento ambiental

Fazer algumas mudanças na casa pode facilitar muito a vida dos nossos peludos! Sabemos que nem sempre é possível mudar muito, mas o pouco que fizer poderá minimizar os efeitos das dores. Veja algumas mudanças que podem melhorar a vida do seu cãozinho:

  • Mantenha comida e água no mesmo lugar, para que, em caso de perda da visão, ele continue conseguindo chegar até o local onde come e bebe.
  • Evite mudar a posição dos móveis.
  • Cubra quinas de móveis que possam machucar o cão no caso de uma batida.
  • Ajuste a altura dos potes conforme o tamanho do seu peludo, para ajudar seus músculos frágeis.
  • Tenha tapetes nos lugares onde ele costuma ficar. Isso ajudará o cão a se levantar caso o piso da sua casa seja escorregadio. Ah, se não tem tapete, pode colocar um emborrachado, parecido com um tapete de yoga, que seja fácil de tirar quando a visita chegar.
  • Mantenha os pelos que ficam entre os coxins (dedos) curtinhos, pois isso reduzirá os escorregões e ajudará na hora de se levantar.
  • Corte as unhas. Afinal, eles usam os dedos para se apoiar no chão e, se a unha estiver comprida, causará dor e mudará a forma como o cão apoia os membros. Com o passar do tempo, a conformação dele será alterada, o que causará desgastes em articulações, atrofia em determinados músculos e hipertrofia em outros: resumindo, ele ficará todo torto e dolorido.
  • Tenha rampas para facilitar o acesso ao sofá, à cama e ao carro.
  • Proteja os ossinhos que entram em contato com o chão, para que não lesionem a pele em caso de dificuldade de locomoção.
  • Caso ele passe muito tempo deitado, ofereça uma caminha confortável. Um colchão tipo casca de ovo evita a formação de escaras.
  • Use brinquedos que estimulem o olfato, especialmente se ele já tiver perdido a visão!

Dica #5: Faça uso de terapias complementares

Sim, existem muitas, como a massoterapia canina e a massagem de bem-estar. Elas são extremamente benéficas e estimulantes para os velhinhos. Não vão devolver o vigor da juventude, mas darão um sopro de vida aos nossos queridos idosos. Clique aqui e confira todos os benefícios que a massagem pode proporcionar aos cães. Se quiser conhecer alguns amados velhinhos que já experimentaram a massagem como terapia complementar, clique aqui.

Como pode perceber, são inúmeras as informações disponíveis! Se optar por se aprofundar em cada uma delas, conseguirá um melhor entendimento da condição atual do seu peludo e será capaz se prevenir para o que o futuro lhe reserva.

Você, melhor do que ninguém, sabe do que seu cãozinho gosta, o que o deixa feliz e o que o faz se sentir bem. Momentos de dor nessa fase são mais comuns do que gostaríamos, e acabam impedindo seu cão de fazer as coisas que antes tornavam sua vida mais agradável. Nesse momento é importante encontrar alternativas, seja com medicamentos, seja com terapias complementares, para devolver a ele um pouco da alegria de viver bem e de aproveitar os momentos com você.

Prover qualidade de vida não está só em oferecer os mais saborosos petiscos, as mais belas roupas ou os melhores brinquedos: nada disso será aproveitado se o cão estiver com dor. Para ele, o que mais importa é estar se sentindo bem ao seu lado.

 

Referências Bibliográficas:

  1. Sala. Salvador Cervantes; Geriatria Canina e Felina – manuais clínicos por especialidades; 1a edição São Paulo: MedVet, 2014. 296 p.
  2. Shojai, Amy; Complete car for your aging dog; 2a edição USA: Cool Gus Publishing, 2011. 304 p.
  3. Faculty of the Cummings School of Veterinary Medicine at Tufts University; Good Old Dog – Expert advice Dog Happy, Healthy, and Comfortable; New York: HMH, 2010. 268 p.

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