Assim como a maioria dos cães da raça Dachshund, o Chico é um cão alegre, brincalhão, animado e alucinado por bolinha. Faz qualquer coisa por ela: pula, salta, corre, derrapa, sobe por tudo, sempre disposto a mostrar as habilidades de caçador! (Nesse caso a caça é a bolinha.)

Chico

Mas para quem tem uma estatura baixa e pernas curtinhas como o Chico e eu – também faço parte dessa galerinha miúda – algumas tarefas do dia a dia que para os grandões passam despercebidas podem ser motivo de transtorno.

Chico e Themis

Imagine quantos obstáculos o Chico encontrou ao longo da sua vida quando comparamos sua altura à dos objetos com que convive:

Chico: 25 cm
Patinha da frente: aproximadamente 8 cm
Cadeira: 50 cm
Sofá: 40 cm
Degrau: 20 cm
Altura do carro em relação ao solo: aproximadamente 22 cm Escala do Chico

Sabendo dessas dificuldades, Raquel e Rodrigo, seus tutores, já tomavam cuidados com o pequeno. Sempre o pegavam no colo suportando a região ventral, nunca pelos ombros, e sempre o colocavam no carro, evitando que fosse obrigado a dar um salto alto demais para sua estrutura.

Chico e seus tutores

Chico e seus tutores

Até que um domingo o Chico ficou triste. Não queria brincar, nem passear, só queria ficar deitado. O desconforto era tanto, que em alguns momentos ele chegava a “verbalizá-lo” com um choro. Seus tutores logo perceberam que algo estava errado: aquele não era o Chico. Foram, então, atrás de atendimento médico veterinário. Como frequentemente acontece entre os cães dessa raça, a coluna vertebral tinha resolvido reclamar. Ele fez exames e cinco calcificações foram detectadas: duas entre as cervicais, C2-C3 e C6-C7, uma na transição da cervical com a torácica, C7-T1, e duas entre as torácicas, T6-T7 e T11-T12, também conhecidas como doença do disco intervertebral. (E se você não é da área médica e não entendeu nada, não se preocupe! Esses códigos são os “nomes” dos ossinhos da coluna vertebral dos peludos – olha só o Chico por dentro!)

Anatomia do Chico

Um Dachshund por dentro.

Após o diagnóstico, o Chico começou a ser tratado com acupuntura pelo Dr. Greyson Esper, e com massoterapia pela AnimaTherapy. As duas modalidades se complementam, agilizando o tratamento dos problemas e, consequentemente, a redução da dor.

A massoterapia permite tratar o corpo do Chico por inteiro. Naturalmente, tratamos o local específico onde foram detectadas as calcificações: a musculatura diretamente ligada à região cervical e toracolumbar, ou seja, toda a extensão da coluna vertebral. Mas, além disso, também tratamos outros músculos que acabam sendo afetados pelos problemas posturais.

Os problemas posturais dos cães, assim como os nossos, surgem quando a dor sentida em um membro (por exemplo, o direito) os leva a utilizar mais o membro oposto (para o exemplo dado, o esquerdo) como estratégia de compensação. Isso acaba por provocar o uso excessivo de uma musculatura que estava sadia, e o resultado final desse processo é um corpo todo dolorido. É exatamente isso que acontece com o Chico.

Em razão de sua estatura baixa, ele aplica grande força no membro pélvico (patas traseiras) para saltar e até para executar movimentos rotineiros, como subir escadas. Esse esforço excessivo acaba gerando pontos de gatilho nessa musculatura, que, por sua vez, causam bastante sensibilidade ao toque e desconforto.

Uma vez comprometida a musculatura do membro pélvico, surge a tendência de usar o membro torácico para suportar o peso corporal, o que gera novos pontos de dor na musculatura do pescoço (região cervical), ombros e braços.

E é aí que entra a massoterapia: além de ajudar na vasodilatação dos pontos da lesão da musculatura, ela estimula a irrigação sanguínea nos locais afetados, contribuindo para a eliminação das toxinas da inflamação. Os efeitos após o tratamento são um alívio da dor e a reconstrução do tecido muscular.

Chico e AnimaTherapy

A massoterapia é um tratamento complementar que em muito contribui para a qualidade de vida dos cães. O Chico, apesar de muito sensível ao toque durante a massagem, acabou percebendo que o processo tem um efeito posterior extremamente benéfico, que reduz o desconforto muscular e as dores. Agora ele pode caminhar, correr e brincar de bolinha, sem dores e com mais cautela.

O tratamento do Chico é um ótimo exemplo de como o massoterapeuta canino pode trabalhar em conjunto com o médico veterinário, relatando todos os achados da palpação e do tratamento: pontos de dor, pontos de gatilho, músculos tensos e rígidos, entre outros. O objetivo é que todos os profissionais envolvidos no tratamento de um cão fiquem munidos de informações importantes para a conquista de resultados positivos.

Mais Chico!

Optamos por fazer a massagem no Chico porque o acupunturista recomendou. No início ficamos um pouco ressabiados porque não tínhamos ouvido falar em massoterapia canina, mas resolvemos dar uma chance já que nós também gostamos de uma boa massagem!

Iniciamos o tratamento praticamente em conjunto e foi ótimo para o Chico entender que ele estava em boas mãos. Levou umas 4 sessões com a Themis para ele perceber que, apesar da dor, no fim das contas a massagem era gostosa, e conseguir relaxar. Tudo aquilo só iria fazê-lo melhorar da dor que sentia. E assim aconteceu. Para ajudar no tratamento, a Themis nos ensinou algumas técnicas para aplicarmos em casa, o que também ajudou bastante. Além disso, o contato entre os profissionais que estavam cuidando dele nos deixou tranquilos porque sabíamos que eles falavam a mesma língua e os tratamentos eram complementares.

Hoje fazemos somente a manutenção com os dois profissionais, já que temos que ficar sempre de olho nesse problema na coluninha dele.

Enfim, hoje o Chico simplesmente AMA a tia Themis e principalmente a massagem no pescoço. É um pidão! Aproveito para registrar meu imenso agradecimento ao carinho e preocupação que se teve com meu filhote desde o início! Obrigada tia Themis! <3

Raquel Carrara, tutora do Chico

Chico e Raquel

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