Quais os sinais da idade nos cães? Quais as doenças comuns em cães idosos?

Vamos começar pelos sinais de que a idade chegou. Aí já temos um “porém”! A famosa rotina – nada nos tira mais a atenção do que ela – é a maior inimiga de quem deseja identificar assim que possível os sinais da idade em um cão.

Normalmente nos damos conta de que o cão está envelhecendo apenas quando alguns pelinhos brancos começam a aparecer no focinho e em torno dos olhos, já que sinais externos chamam mais a atenção. Mas, como bem sabemos, seus corpos são um grande aglomerado de células, e não apenas uma superfície externa. Nós não vemos o que acontece no nível celular, e lá a máquina não para de funcionar. Se estamos vendo pelos brancos hoje, podemos concluir que o processo de envelhecimento já começou há algum tempo, bem antes de esses traços ficarem visíveis.

Além desse processo interno ininterrupto, existem diversos fatores externos que podem levar os cães a um envelhecimento precoce, como, por exemplo:

  • Alimentação incorreta ou desbalanceada,
  • Lesões musculares ou fraturas,
  • Problemas articulares,
  • Estresse.

Muitas vezes nós acabamos sendo um desses problemas externos, como quando exigimos dos nossos cães o mesmo nível de atividade de sempre, com as mesmas brincadeiras, longas caminhadas, aulas de agility e treinamento. Mesmo o simples ato de subir e descer do sofá, da cama, do carro ou do colo (ufa, é uma lista interminável) tem seu impacto. Tudo isso pode contribuir, de forma indireta (caso ocorra algum tipo de lesão muscular ou fratura), para a aceleração do processo de envelhecimento no nível celular. Com isso, o cão perde seu vigor, desenvolve restrições de movimento e passa a se locomover menos, o que, por sua vez, pode levar à obesidade e, em alguns casos, desencadear lesões nas articulações (por excesso de peso), diabetes e outros problemas sérios. Mas fazemos isso de forma consciente? Não! O que acontece é que, na maioria das vezes, não paramos para fazer uma simples conta: acabamos esquecendo que o metabolismo deles é muito mais acelerado que o nosso, e que 5 anos vividos por nós correspondem a quase uma vida toda para alguns cães. Veja este exemplo:

Pois é: enquanto você não alcançou nem a metade da sua vida, seu cão já está no quarto final da vida dele, ou bem perto disso. Portanto, preste muita atenção aos sinais da idade, e seja cauteloso nas brincadeiras com seu peludo. A mais inocente delas pode causar uma lesão grave e acelerar o processo de envelhecimento. Você não quer antecipar a partida do seu cãozinho, não é mesmo? Nós também não queremos isso! Muito pelo contrário, queremos ajudar você a reconhecer os sinais de que a velhice está chegando, para, assim, poder se prevenir melhor.

E, afinal, quais são os sinais da idade nos cães?

Os sinais mais comuns (e que tendem a aparecer mais cedo) são:

Então, é importante treinar os olhos para driblar a rotina, e criar alguns hábitos (incomuns e às vezes chatos) como anotar a data e os detalhes das principais mudanças. Isso ajudará você a explicar ao médico veterinário exatamente quando tudo começou. Trata-se de uma simples atitude que pode ajudar na prevenção ou no diagnóstico precoce das doenças. Mesmo se o seu cãozinho já estiver velhinho, você pode, a partir de agora, monitorar a sua evolução agindo da mesma maneira: anotando todos os pontos de interesse do dia a dia, como a quantidade de água e comida ingeridas, o nível de exigência com comida, a condição da audição, a distância que ele consegue caminhar… Enfim, ninguém melhor do que você para conhecer as preferências do seu velhinho e a forma como ele vem se comportando nos últimos tempos! A seguir, uma breve e resumida citação de algumas doenças e problemas comuns em cães idosos, para facilitar a identificação de alguma anormalidade no peludo.

Doenças e problemas comuns em cães idosos:

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  • Pelos e pele: os pelos, além de ficarem brancos, especialmente no fuço e ao redor dos olhos, ficam mais finos, a pele mais ressecada, e normalmente aparecem calos nos cotovelos e nos quadris.
  • Olhos: a catarata (uma película branca no centro dos olhos) é um sinal comum da idade, além de olhos secos, como se estivessem com areia (quem já se deparou com essa situação sabe o quanto é incômodo). Isso pode ser percebido pela esfregação constante dos olhinhos com a pata. Outra doença comum é o glaucoma, que causa muita dor e que, como a catarata, pode levar à cegueira.
  • Ouvidos: a surdez, uma vez detectada, é irreversível. Ela fica perceptível quando chamamos e o cão não responde, ou quando ele começa a se concentrar mais nos outros sentidos, como a visão ou o faro, que fica mais apurado.
  • Boca: seu cão está ranzinza e cheio de frescura para comer? Isso pode ser sinal de que alguma coisa está alterando o seu paladar. A redução da ingestão de alimentos, que é muito comum nos cães idosos, pode estar associada a outros fatores além do gosto pela comida, como desidratação, problemas dentários ou efeitos colaterais de medicações. Então, se existe alguma relutância em comer, verifique se alguma dessas três possibilidades não é o motivo da ranzinzice.
  • Intestino: a constipação é um problema recorrente nos cães idosos. Seu intestino pode não funcionar muito bem, e isso pode aumentar a frequência da constipação. Apesar de não ser uma exclusividade dos cães idosos, ela tem mais chances de acontecer quando há falta de movimento, já que isso impede o intestino de funcionar bem.
  • Coração: tosse seca, relutância para andar, ofegação contínua e cansaço durante as brincadeiras ou caminhadas podem indicar algum problema no coração, como insuficiência cardíaca.
  • Sistema nervoso: problemas comportamentais, síndrome da ansiedade por separação e problemas cognitivos podem ser resultado de uma degeneração do sistema nervoso central. Isso causa perda de memória e outros sintomas desagradáveis como medo, destruição de objetos, fobias e tremedeiras.
  • Sistema urinário: a incontinência urinária é comum nos idosos e afeta principalmente as fêmeas. É causada pela perda de tônus na musculatura da região, que faz com que a urina saia com mais facilidade e sem controle. Além disso, infecções urinárias e cálculos renais também são problemas comuns em cães idosos.
  • Ossos e músculos: o sistema musculoesquelético talvez seja o que mais chama a nossa atenção nos cães idosos. Isso porque os sinais que vêm dele são mais perceptíveis aos nossos olhos: dificuldade para andar e para levantar, perda de massa muscular, ossinhos mais facilmente palpáveis sob a pele. A artrite, que é uma degeneração da cápsula articular e muito comum nos cães idosos, quando diagnosticada, infelizmente não nos deixa muitas opções. Ela progride lentamente ao longo dos anos, muito tempo antes de se manifestar em sinais (como fazer o cão mancar ou claudicar, termo usado pelos veterinários). Além da artrite, rigidez, aderência e perda de massa muscular também são problemas frequentes, que dificultam a locomoção e reduzem a amplitude de movimento (o quanto o cão consegue estender ou flexionar as patas). Discopatias nas vértebras da coluna são outro mal recorrente que causa muito desconforto nos movimentos d@s velhinh@s.

É aqui que a nossa experiência com massoterapia canina entra, para minimizar os efeitos danosos da idade sobre o sistema muscular dos cães. A massoterapia pode auxiliar a reduzir a percepção de dor, aumentar a amplitude de movimento, minimizar as aderências dos músculos, despertar a propriocepção (a percepção do espaço, dos objetos e do movimento) e ativar o sistema sensorial, fazendo com que o cão perceba seu corpinho. São inúmeros os benefícios que a massagem pode trazer aos cães idosos. Ela:

  • aumenta a disposição, devolvendo ao cão um pouco do seu vigor;
  • diminui as dores musculares;
  • melhora a circulação sanguínea;
  • libera hormônios que proporcionam bem-estar;
  • reduz o estresse.

Envelhecer não é um processo fácil! Especialmente para nossos peludos, que vivem um dia de cada vez e não se preparam para essa mudança em seus corpos. Com isso, cabe a nós, tutores e profissionais da área, saber exatamente quais cuidados precisamos tomar e como podemos trabalhar de forma preventiva. Afinal, eles já não vivem tanto quanto gostaríamos e não queremos uma morte prematura, não é mesmo? Aguarde a próxima parte para conferir como adaptar a casa e como enriquecer esse ambiente para seu velhinho!

Referências Bibliográficas:

  1. Sala. Salvador Cervantes; Geriatria Canina e Felina – manuais clínicos por especialidades; 1a edição São Paulo: MedVet, 2014. 296 p.
  2. Shojai, Amy; Complete car for your aging dog; 2a edição USA: Cool Gus Publishing, 2011. 304 p.
  3. Faculty of the Cummings School of Veterinary Medicine at Tufts University; Good Old Dog – Expert advice Dog Happy, Healthy, and Comfortable; New York: HMH, 2010. 268 p.

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